![]() [Pergunta | Resposta]Futuro perifrástico com auxiliar ir vs. futuro simples (ou do presente) do indicativo[Pergunta] O que acontece com a mídia? O Boneer diz no JN que «vai começar...». A Fátima diz que «vão tentar...». O jornal local (CORREIO) escreve «as obras vão ser iniciadas...». No programa do PV de hoje, Marina Silva disse que «vai mudar o jeito...». Porque não usar o verbo corretamente (começará, tentarão, serão e mudará)? Isto é tendência irreversível? Há outros exemplos de pessoas influentes (não é o caso do Lula da Silva) que abusam deste jeito de falar/escrever. Existe a possibilidade de um esclarecimento "geral"? Se não, posso acabar contaminado, e começar a falar «eu vou ir» (rsrsr). Um abraço. Gilson Evangelista da Silva :: Comerciante :: Uberlândia, Brasil[Resposta] As locuções verbais em causa estão correctas. O auxiliar ir e um verbo principal («ir começar», «ir tentar», «ir ser iniciado» — ou melhor, «ir iniciar», como já explicarei —, «ir mudar») constituem uma perífrase verbal cujo valor temporal é de futuro. As formas simples começará, tentarão e mudará correspondem ao futuro do indicativo, assim como serão, que participa como auxiliar da passiva de iniciar («ser iniciado»). A diferença entre os dois futuros tem que ver com diferentes perspectivas sobre a acção: a construção ir + infinitivo sugere a acção como certa, enquanto às formas simples se pode associar um grau de probabilidade comparativamente mais baixo. Assinale-se que, do ponto de vista da retórica política, a perífrase de ir e infinitivo acaba por ser mais persuasiva do que o futuro do indicativo, que introduz um elemento de incerteza. Quanto a «vou ir», já aqui temos observado (ver Textos Relacionados) que, no português-padrão, ir não se usa na perífrase de futuro em discussão, pelo que, em vez de «vou ir», «vais ir», «vai ir», etc., se preferem apenas as formas do presente do indicativo desse verbo para exprimir o futuro: vou, vais, vai, etc. Carlos Rocha :: 08/02/2010Textos Relacionados |
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