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[Pergunta | Resposta]

Orações subordinadas relativas e completivas

[Pergunta] Sou estudante do ensino secundário e desejava esclarecer uma dúvida que surgiu em aula, aquando da explicação das nova TLEBS.

Na frase «A professora [que saiu] ensina espanhol», qual é exactamente, segundo a nova terminologia, a função sintáctica da expressão «que saiu»?

A frase acima citada encontra-se como exemplo de uma oração/frase relativa sem antecedente com a função sintáctica de Modificador Frásico do Grupo Verbal. Acontece que não sei se esta se encontra totalmente correcta, uma vez que aquilo que é modificado é o grupo nominal («A professora»). Não seria a oração «que saiu» uma oração subordinada relativa adjectiva restritiva na antiga terminologia, que restringe a oração «A professora ensina espanhol»?

De modo a esclarecer completamente esta dúvida, poderá a expressão entre parêntesis rectos servir de exemplo de um Modificador Frásico do Grupo Verbal na frase «Ama [quem te ama]»? E em «O comandante anunciou [que havia uma avaria]»?

Aguardo resposta logo que possível. Obrigado.

João Ferro :: Estudante :: Lisboa, Portugal

[Resposta] 1. «A professora que saiu ensina espanhol.»

Atendendo à lista dos termos que consta da Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (TLEBS), a classificação completa da oração sublinhada é: subordinada adjectiva relativa com antecendente restritiva.

que – pronome relativo;

a professora – antecedente;

A oração sublinhada em 1. (relativa restritiva) contribui para a construção do valor referencial da expressão nominal antecedente. Outros exemplos:

«Os morangos que ficaram na mesa estragaram-se.»

(Só os morangos da mesa se estragaram, e não todos os morangos.)

«A casa que o meu pai pintou está à venda.»

(O locutor refere apenas uma determinada casa.)

2. «Ama quem te ama

A classificação que a oração sublinhada recebe no Dicionário de Terminologia/TLEBS é: subordinada substantiva relativa sem antecedente.

A relativa substantiva sem antecedente cumpre uma função sintáctica em relação ao verbo da oração superior: na frase em 2., a oração cumpre a função de complemento directo.

Outros exemplos/outras funções desempenhadas pela relativa substantiva sem  antecedente:

«Quem desdenha quer comprar» — a relativa desempenha a função de sujeito.

«Ele não é quem parece» — a relativa desempenha a função de predicativo do sujeito.

«Não dás valor a quem merece» — a relativa desempenha a função de complemento indirecto.

3. «O comandante anunciou que havia uma avaria

A classificação que a oração sublinhada recebe no Dicionário de Terminologia/TLEBS é: subordinada substantiva completiva.

A oração completiva desempenha uma função sintáctica relativamente ao verbo da oração superior. A oração sublinhada em 3. exerce a função de complemento directo relativamente ao verbo da oração superior.

A oração completiva pode ser substituída por uma expressão nominal:

«O boletim meteorológico anunciou que vai chover.»

«O boletim meteorológico anunciou chuva.»

«O comandante anunciou a ocorrência de uma avaria.»

4. Como distinguir uma subordinada relativa substantiva sem antecedente de uma subordinada substantiva completiva?

Na oração relativa substantiva sem antecedente, que e quem cumprem também uma função sintáctica relativamente ao verbo da própria oração subordinada relativa. Na oração substantiva completiva, que é uma conjunção, não cumpre qualquer função sintáctica dentro da oração subordinada.

Nota: as completivas pedidas por verbos de inquirição, dubitativos ou negativos são introduzidas por se:

perguntar se

investigar se

ignorar se

desconhecer se

Ana Martins :: 12/06/2007

[Sintaxe]
A classificação da conjunção correlativa «nem... nem...»
A sintaxe de nascer
«Meter-se a» + infinitivo
A sintaxe de vir
Misantropo
A concordância do verbo ser seguido de uma enumeração
Anglicismo no uso de preposições
«Opinar sobre...» = «opinar a respeito de...»
A regência de arrepender-se
«Faz-me lembrar eu»

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